Sunday, 24 August 2008

Das minhas 17 horas de vida acordada

"For a long time I was convinced that memories of the past or nostalgia for one´s birthplace really represent only a contrived effort to restore ones´s equilibrium and cope better with life´s frustrations, and that even if some emotions arise these are simply ornamental" Cries in the Drizzle, Yu Hua.

A melhor parte do dia é aquela em que sou feliz. Ao longo das quase 17 horas diárias de vida acordada, alguns dos momentos são de solene nostalgia. Acontecem inesperados e sem óbvia razão. Ontem à tarde estava a ter alguns momentos de puro deleite quando de repente olhei para um poster .... e me lembrei de uma coisa, de uma pessoa, de um momento, de um sentimento. Nesse instante, perdi nocão do tempo e do espaço. Paralizada pela sensação de abismo, revi toda cena, as palavras, o olhar, o toque, o cheiro. Um misto de coisas sentimentais, boas e más...chuva, saí e fui para chuva. E alí, nas margens do rio Thames, encharcada até aos ossos, recuperei o que de pior há em mim e sobrevivi, mais uma vez, a uma morte antecipada.
Duas horas depois estava completamente loura e pela primeira vez, com sobrancelhas arranjadas. Formei então uma opinião relativamente às sobrancelhas. Arranjar as sobrancelhas é como ter relações sexuais pela primeira vez. Só se percebe o que se perdeu uma vez que se têm a coisa. E em verdade vos digo que as minhas sobrancelhas Penelope Cruz são do melhor que há.
O jantar foi óptimo. Comi chourizo e bebi vinho tinto, do bom, até à uma. Depois fui para casa dormir.
Das minhas 17 horas de vida acordada, ontem, apenas duas foram em majestosa reanimação.