Thursday, 28 August 2008

Do que eu sei

Conheci o meu Pai com 9 anos, quando regressou da Venezuela. A minha Mãe entendeu que eu devia vestir um fato cinzento e uns sapatos duros de madeira. Grande parte da minha infância foi passada a admirar a vida dos outros. Nessa altura, viviamos daquilo que o meu Pai mandava da Venezuela e com mais algum dinheiro que a minha Mãe conseguia ganhar do trabalho nos terrenos que ladeavam a casa. O meu irmão estudava no seminário, a minha irmã no Porto e eu lá na escola. Lembro-me que a a professora primária tinha cabelos brancos e que nos pedia para lhos arrancar no intrevalo do almoço. Eu, ajudava na Igreja. Fui sacristão até aos 12, e aos 20 fui para Guiné. Fumava Português Sauve, ouvia Beatles e as "Vinhas da Ira" preencheram alguns dos meus vazios. Quando me casei, fui falar com a minha Mãe. Sempre Mãe, sempre lá. Morreu com quando a Maria Inês tinha 2 anos. Nessa altura decidi voltar a acreditar em Deus. Casei-me com a Maria aos 27 anos. Casei por amor e porque acredito em projectos de vida. Vivo as lutas políticas com relativa intensidade porque deixei de acreditar em políticos honestos.